De-repente,à margem na marginalia na marginal na escangalha.
Auto destruição,na comida no doce na água,no cigarro.
Pedinte mendiga de atenção.
Encolhida exaurida destruida,envergonhada mal amada e perdida.
Trincheira sem proteção,disparos sem razão,atingida sem redenção.
Passos pesados,ziguezazeando se auto costurando,pedaços rasgados.
Pedaços perdidos,sujos encardidos,gastos pelo tempo de clausura.
Tempos de espera,sem esfera sem pauta,cheia de feras.
Noites geladas,alma perpetua em crise constantes.
Pedidos sem glorias,noticias na tv,tragedias reinantes.
Politicos corajosos pedindo votos,pais torturando filhos.
Insanos sem patria,sem canto pra suas loucuras,orgias na brincadeira e em suas cabeceiras.
Me horrorizo não me acostumo,deveria?
Arrastada no desalento de minha loucura,luto para seguir,mas ainda assisto à tudo sem poder me mover.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Vendo sem enxergar.
Choro ao nascer,crescer e viver.
Um gesto de consolo,o precisar do outro,com todos é assim.
Quem pensa não precisar,olha a chuva sem enxergar sente o sol sem se aquecer.
Olha para a estrela sem ver seu brilho,sai na noita sem perceber.
Ouve uma canção se escutar,dá um abraço sem sentir um corpo,e se acha poderoso.
Pensa ser o dono do mundo,mas é somente dono de seu orgulho.
Se enxerga como gente,mas não passa de um monstro.
Um gesto de consolo,o precisar do outro,com todos é assim.
Quem pensa não precisar,olha a chuva sem enxergar sente o sol sem se aquecer.
Olha para a estrela sem ver seu brilho,sai na noita sem perceber.
Ouve uma canção se escutar,dá um abraço sem sentir um corpo,e se acha poderoso.
Pensa ser o dono do mundo,mas é somente dono de seu orgulho.
Se enxerga como gente,mas não passa de um monstro.
Sonhando.
Assistir a um bom filme,uma péça de teatro.
Sentar-se em uma mesa de bar.Um jogo de buraco uma criança à rodopiar.
Um papo legal um poema fatal,um texto super original.
Dar um bom dia,dizer boa noite sorrir quando o sol nascer.
Poder trabalhar me maquiar,poder passear.
Pagar as contas,comprar um presente,ganhar na milhar.
Matar a saudade de dirigir,mesmo de carro emprestado.
Fazer empadas pães saborosos,trocar receitas.
Cortar os cabelos pintar as unhas,colocar anéis.
Colocar um salto,pintar os labios,dançar uma valsa.
Fazer uma visita,passear co os netos,brincar de cantar.
Fazer uma festa,poder gargalhar.
Caminhar perto do verde,respirar o ar da manhã,compor um soneto,escrever um livro,regar uma planta.
Matar uma barata descascar uma batata,fazer uma sopa.
Abrir a pórta e a janela,pra ver o sol entrar.
Sentar-se em uma mesa de bar.Um jogo de buraco uma criança à rodopiar.
Um papo legal um poema fatal,um texto super original.
Dar um bom dia,dizer boa noite sorrir quando o sol nascer.
Poder trabalhar me maquiar,poder passear.
Pagar as contas,comprar um presente,ganhar na milhar.
Matar a saudade de dirigir,mesmo de carro emprestado.
Fazer empadas pães saborosos,trocar receitas.
Cortar os cabelos pintar as unhas,colocar anéis.
Colocar um salto,pintar os labios,dançar uma valsa.
Fazer uma visita,passear co os netos,brincar de cantar.
Fazer uma festa,poder gargalhar.
Caminhar perto do verde,respirar o ar da manhã,compor um soneto,escrever um livro,regar uma planta.
Matar uma barata descascar uma batata,fazer uma sopa.
Abrir a pórta e a janela,pra ver o sol entrar.
Como um ladrão
Como um ladrão, chega de repente. A boca seca e o coração dispara.
Como um bicho feio, como um dragão, a cabeça pesa e o peito cansa.
O mundo gira, passa um filme, a pressa aumenta.
Preciso me deitar, pareço acabar, definhar e esfumaçar.
Onze anos de cansaço, tortura e desespero. Vai acabar?
Como cebola nos olhos, arde, escorre: aperto, abro e fecho.
Como um corpo estranho, não entendo!
Quanto tempo mais como um cão sarnento? Que late, mas ninguém quer mais escutar, estão cansados e eu, exausta, como se carregasse tijolos.
É o dia todo, me fere o tempo todo, me mata aos poucos.
Chega assim... num estalar de dedos. Acabou o sossego que já era tão pouco!
É sempre tão pouco! Momentos, instantes.
O peito se esmaga, a garganta sufoca, penso na morte.
Me encolho na cama: me deixa, vá embora!
Solidão, nada me importa. Quero comer, abro o livro, pego a revista, ligo a tv. Alguém me escute e faça algo por mim!
Ninguém nada pode fazer, não há o que se fazer. Preciso esperar o ladrão desaparecer para logo em seguida, esperar ele voltar.
Como um bicho feio, como um dragão, a cabeça pesa e o peito cansa.
O mundo gira, passa um filme, a pressa aumenta.
Preciso me deitar, pareço acabar, definhar e esfumaçar.
Onze anos de cansaço, tortura e desespero. Vai acabar?
Como cebola nos olhos, arde, escorre: aperto, abro e fecho.
Como um corpo estranho, não entendo!
Quanto tempo mais como um cão sarnento? Que late, mas ninguém quer mais escutar, estão cansados e eu, exausta, como se carregasse tijolos.
É o dia todo, me fere o tempo todo, me mata aos poucos.
Chega assim... num estalar de dedos. Acabou o sossego que já era tão pouco!
É sempre tão pouco! Momentos, instantes.
O peito se esmaga, a garganta sufoca, penso na morte.
Me encolho na cama: me deixa, vá embora!
Solidão, nada me importa. Quero comer, abro o livro, pego a revista, ligo a tv. Alguém me escute e faça algo por mim!
Ninguém nada pode fazer, não há o que se fazer. Preciso esperar o ladrão desaparecer para logo em seguida, esperar ele voltar.
A faca caiu
Corte tres vezes. A faca caiu, vem briga! Se cai a colher, chega uma mulher. Se um garfo, um homem.
Precisa cair a cortina, acabar com o monstro, pedir ajuda.
A faca cai de vez em quando, a raiva está impregnada na cara sempre amarrada.
Cai água, cai o leite, cai o corpo doente. Na cabeça impaciente a paz nunca vem.
O amor não se sente, nunca se aprendeu, não se recebeu, amigos mais irmãos.
Sem culpas, amor se doa.
Cai o açúcar, cai o sal, cai o sabão, quebra-se o prato.
A vida te quebra, o mundo te condena, a familia murcha.
Esperneia, quer ser ouvida, tentar entender. Puro delirio.
O padre largou a batina mas continua rezando a missa.
Precisa cair a cortina, acabar com o monstro, pedir ajuda.
A faca cai de vez em quando, a raiva está impregnada na cara sempre amarrada.
Cai água, cai o leite, cai o corpo doente. Na cabeça impaciente a paz nunca vem.
O amor não se sente, nunca se aprendeu, não se recebeu, amigos mais irmãos.
Sem culpas, amor se doa.
Cai o açúcar, cai o sal, cai o sabão, quebra-se o prato.
A vida te quebra, o mundo te condena, a familia murcha.
Esperneia, quer ser ouvida, tentar entender. Puro delirio.
O padre largou a batina mas continua rezando a missa.
Escarlate
Nasci branca, cresci rosa, amei escarlate.
Me machuquei chumbo, me ergui amarela, caí negra no breu da canalhice.
Rodei o mundo, inconsequente, perdida e sem entender.
Nasceu na menina o brincar de roda, aprendeu depois a lição de casa.
Brotou na jovem a paixão amorosa, na mulher a dor sem prosa.
Vestiu sua ação confusa, lutou sua busca, escorregou na vida e dormiu sua recusa.
Inclusa na conquista, sem desistir do beijo, buscando abraços de verdade sem gosto de saudade.
Carregou a inocência sem pensar no indecente, no mentor do plano em fuga.
Em um palco gigante para o pequeno tamanho das canções, chegaram aplausos verdadeiros e cheios de emoções.
Não perguntem nada, não sei de nada, não quero entender nada.
O amigo me espera, me atende, me escuta, o canalha me conquista e faz de mim sua espera, sua ponte de travessia, seu porto-seguro de vida.
A mim, o desencanto da mentira, rodopia em minha alma, rebaixa meus desejos, consome meus sonhos e parte na vaidade.
Me machuquei chumbo, me ergui amarela, caí negra no breu da canalhice.
Rodei o mundo, inconsequente, perdida e sem entender.
Nasceu na menina o brincar de roda, aprendeu depois a lição de casa.
Brotou na jovem a paixão amorosa, na mulher a dor sem prosa.
Vestiu sua ação confusa, lutou sua busca, escorregou na vida e dormiu sua recusa.
Inclusa na conquista, sem desistir do beijo, buscando abraços de verdade sem gosto de saudade.
Carregou a inocência sem pensar no indecente, no mentor do plano em fuga.
Em um palco gigante para o pequeno tamanho das canções, chegaram aplausos verdadeiros e cheios de emoções.
Não perguntem nada, não sei de nada, não quero entender nada.
O amigo me espera, me atende, me escuta, o canalha me conquista e faz de mim sua espera, sua ponte de travessia, seu porto-seguro de vida.
A mim, o desencanto da mentira, rodopia em minha alma, rebaixa meus desejos, consome meus sonhos e parte na vaidade.
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